Perdas no tempo...



O que são as nossas perdas do dia-a-dia? Para cada cabeça uma sentença...posso pensar assim. Eu vejo uma situação como perda. Já outra pessoa ali na frente vê e pesa de outra forma . O nosso coração é terra que ninguém anda, nossa mente realiza pensamentos nunca “dante navegados”. Somos uma fórmula mágica, única, sem cópia. E por isso cada um tem o direito de tratar suas perdas da melhor forma que convier. Pode levar tempo ou até quase nenhum _ de acordo com cada pessoinha _ , certo é que não existe (e não há de nascer) uma regra para esse tempo nosso de cada um. 

O que importa de tudo é o tempo que não volta mais. Vi essa imagem do topo da página dia desses em alguma rede social e me toquei mais uma vez que a vida é rara demais. Sim, tenho problemas, tenho impasses, tenho minhas vontades de sumir do mundo em um rabo de foguete por muitas vezes. Fico reservada. Despeço-me de amigos por um tempo. Viro um bichinho de mato, uma franciscana, uma ermitã. E não posso dizer que isso não me faça bem. Lógico que conversar comigo mesma, ouvir só meus pensamentos, faz bem. Dissolve edemas antigos por vezes. 

Já nasci convivendo com perdas. Minha mãe desencarnou na sala de parto. Novela das 21h ? Não, nunca foi. A perdi sim, mas não me sacrifiquei por isso. Apenas aprendi a entender que era assim, que ela tinha o quê pagar nesta vida e esta forma foi a escolhida por ela mesma. Ponto. Mas, é uma perda de qualquer forma. Convivi com minhas tias que sempre me deram muito carinho e me preencheram para que a ausência materna não fosse tão sentida. Só que em alguns momentos, esse vazio vinha com uma força que me absorvia. 

Cresci e tive grandes perdas mais... de emprego, de sonhos, de familiares...de amigos que continuam vivos, mas que decidiram se afastar por N motivos. Não meus...deles. Apenas os respeito. E perdi amores (alguns). Eu sempre fui “a que fica na relação” com pessoas importantes demais na minha vida. Nunca achei isso chato, imbecil ou sei lá o quê possamos falar mais sobre. Sempre mergulhei de cabeça nas minhas grandes relações. Aquelas que vieram para me fazer sentir mais ou aprender mais. E continuo assim hoje. Sem arrependimentos. Só que tive que lidar com algumas (poucas) grandes perdas e fui aprendendo com cada uma de uma forma diferente. O grande ganho disso? Nenhuma pessoa conseguiu até hoje me tirar o encantamento de amar, de sentir o outro, de sonhar com o outro, de me ligar a uma nova vida só com vontade de amar. 

Perdas nos trazem ganhos inevitavelmente quando deixamos um pouco de lado o emocional e conseguimos resgatar o racional e efusivo senso nosso de todo dia. A única coisa que vejo e sinto (pelo menos comigo), é o tempo que perco pegando minha estabilidade de volta. É tudo muito raro, muito tênue. A gente briga, se desentende e a pessoa pode morrer amanhã atravessando a rua. Ou hoje com alguma bala perdida. Sem muito aviso prévio ou tempo de você retirar aquele xingamento que saiu quase sem querer...aquela palavra que magoou . 

Cada dia é um milagre, já reza a lenda e a velha frase. E não é? Cada um faz de sua vida exatamente o que quer e como quer, claro. Só que custa perdermos menos tempo com nossas ausências do outro, nossas perdas sejam em que campo da vida for? O tempo é quase nosso inimigo nesse momento. Aquele domingo de sol olhando o sol no Arpoador semana passada, não volta mais. Então nos cabe criar tantos outros domingos em tantos cantos de sol para vermos, sentirmos que a vida corre dentro de nossas veias e que nada, ABSOLUTAMENTE NADA, pode ser desperdiçado nesta neste nosso tempo...tão raro...tão fugaz...e tão sensivelmente “temporal”.

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